Além da tela: os custos invisíveis do ChatGPT

Você sabia que os chatbots de IA consomem uma enorme quantidade de água e energia apenas para responder às perguntas dos usuários?

Isso acontece porque os servidores que armazenam informações e processam dados funcionam como “supercomputadores”, que permanecem ligados 24 horas por dia para atender a solicitações vindas de celulares, computadores e outros dispositivos.

Esses servidores, instalados em grandes data centers, aquecem durante o funcionamento e geram muito calor. Para evitar o superaquecimento e garantir que continuem operando, são necessários sistemas de resfriamento que consomem grandes volumes de água e eletricidade.

O que acontece quando conversamos com o ChatGPT?

Sempre que enviamos informações ou perguntas ao ChatGPT, os servidores realizam milhares de cálculos para determinar quais são as melhores palavras a serem oferecidas como resposta. Esse processamento intenso é o que faz os equipamentos aquecerem e consumirem tanta energia.

E isso não ocorre apenas em interações complexas ou com longos textos: até mesmo saudações e agradecimentos passam pelo mesmo processo. Em abril de 2025, viralizou uma brincadeira nas redes sociais sobre o gasto energético do ChatGPT quando os usuários são excessivamente educados em suas conversas.

Na ocasião, um internauta escreveu na rede X: “Fico imaginando quanto dinheiro a OpenAI já perdeu em contas de luz pelas pessoas que dizem ‘por favor’ e ‘obrigado’ aos modelos.”
Sam Altman, CEO da OpenAI, respondeu: “Dezenas de milhões de dólares bem gastos — nunca se sabe.”

 

 

A piada mostra que até pequenas expressões geram custos. Esses gastos, no entanto, variam conforme a estrutura e o funcionamento de cada data center, a quantidade de informações processadas e a capacidade dos servidores em atender rapidamente às demandas.

Modelos mais sofisticados, como o GPT-5, exigem uma infraestrutura computacional robusta para entregar respostas em segundos. Um estudo divulgado pelo Washington Post em parceria com a Universidade da Califórnia revelou que o ChatGPT consome cerca de uma garrafa de água e 0,14 kWh para gerar um único e-mail de 100 palavras — energia suficiente para manter 14 lâmpadas de LED acesas por uma hora.

Indústrias digitais

Apesar dos números alarmantes, o ChatGPT não é a única plataforma com impacto ambiental. Serviços digitais como Netflix, Amazon, criptomoedas e Google também passam por processamentos semelhantes para garantir que os usuários recebam conteúdos com rapidez — seja um filme, seja uma resposta de pesquisa.

A simplicidade e a velocidade com que essas ações digitais acontecem acabam mascarando os custos ambientais que estão por trás das máquinas. Por isso, cresce o número de pesquisas que buscam estimar o real impacto energético e ambiental dessas operações.

Paralelamente, surge um movimento voltado ao uso de energia renovável nos chamados Data Centers Verdes.

O poder da energia renovável

O uso de fontes renováveis em data centers reduz a pegada de carbono ao substituir a energia proveniente de combustíveis fósseis, como carvão e gás natural, que emitem grandes quantidades de gases de efeito estufa.

Enquanto fontes como solar e eólica não produzem emissões diretas, a hídrica e a biomassa apresentam impactos significativamente menores ao longo de seu ciclo de vida. Isso reduz a chamada intensidade de carbono da eletricidade: enquanto o carvão pode emitir mais de 800 g de CO₂ por kWh, a energia eólica, por exemplo, emite menos de 15 g.

Considerando que um único data center de grande porte pode consumir a mesma energia que uma cidade inteira, a adoção de renováveis representa uma redução expressiva nas emissões anuais, tornando a operação mais sustentável e alinhada às metas globais de neutralidade de carbono.

Empresas como Amazon, Microsoft, Meta e Google já estão entre as maiores compradoras corporativas de energia renovável por meio de contratos de compra de energia (PPAs). Além de reduzir emissões, essa estratégia protege contra a volatilidade dos preços da energia e fortalece a reputação das marcas.

Outro exemplo de inovação é o reaproveitamento do calor gerado nos data centers para aquecer edifícios comerciais e residenciais próximos, especialmente em climas frios. Essa prática reduz desperdícios e aumenta a eficiência energética.

Essas possibilidades permitem que as indústrias digitais continuem se desenvolvendo com menor impacto ambiental. Políticas públicas e regulamentações têm papel essencial em acelerar a transição para atividades digitais mais sustentáveis. Incentivos ao uso de energia renovável, padrões de eficiência energética para hardware e aproveitamento do calor residual são medidas que podem guiar a indústria rumo a um futuro mais limpo.

Popularização do ChatGPT

Desde o seu lançamento, o ChatGPT conquistou enorme popularidade e despertou curiosidade imediata dos usuários, como acontece com outros grandes lançamentos digitais. No entanto, nesse cenário de imediatismo, a maioria das pessoas utiliza a ferramenta sem ter consciência do esforço necessário para que o serviço funcione.

Mais do que experimentar novidades, é fundamental compreender como essas tecnologias operam e adotar formas de uso responsável. Se os usuários dividem cada vez mais o protagonismo com os serviços digitais, é necessário oferecer em troca uma postura consciente. Só assim será possível dar continuidade à evolução e à transformação digital sem ampliar os prejuízos ambientais.

Por: Pietra Bívia | Analista de Comunicação na Vox Tecnologia

Imagens: Reprodução da Internet

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